sexta-feira, 19 de julho de 2019

Narração do Capítulo IV - Antiguidade, da Cultura à Barbárie, por Luiz Aguilar



Luiz Aguilar empresta sua voz charmosa para os personagens do Capítulo IV do livro PEQUENO TEATRO DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL. Pré-Venda em https://www.kickante.com.br/campanhas... "O quadro é chocante, a placitude do pai e filho de mãos dadas apreciando o trabalho da lavoura sendo destruído pelo próprio personagem. Instigante, por que faria isso?" Assista ao vídeo e descubra. Forte abraço! ~ Transcrição do capítulo narrado: Capítulo IV - Antiguidade, da Cultura à Barbárie A civilização Romana atingiu o seu ápice. Atravessou da monarquia para a República e desta para o Império. Pela conquista e assimilação lançou as bases da sociedade moderna, dominando do Atlântico à Arábia, da Bretanha à África. Tal magnitude e riquezas concederam poderes absolutos a governos cada vez mais populistas e totalitários. Uma sequência de políticas assistencialistas, interferências econômicas, redistribuição de terras produtivas, subsídios de alimentos, desvalorização monetária e, por fim, o colapso financeiro, debilitaram de morte o Império. A guerra civil e as invasões bárbaras encerraram o rito de transição e início da era medieval. Descrição da cena: Marcos, o pai, entra em cena com semblante raivoso e carregando uma tocha. Seu filho Antonius o para, tentando entender a situação. ANTONIUS O que vai fazer meu pai? Onde vai com esta tocha? MARCOS Venha, vou lançar fogo aos galhos secos! Não fico nesta terra nem mais um segundo! ANTONIUS Vai queimar a colheita? (Mãos à cabeça, sem acreditar) MARCOS Custa-me mais para colher do que o preço que me pagam por ela! E agora, querem minhas terras? Que fiquem com as cinzas! (Ateando fogo) ANTONIUS Do que viveremos, meu pai? MARCOS Vamos buscar do que comer nas filas de cereais! (Apontando ao longe) Se até o rico Cônsul Censorino vai fazer fila com os escravos e buscar o que lhe foi tirado à força, porque nós não podemos? ANTONIUS E porque não cobra as dívidas dos que te devem? MARCOS Pois aqueles não me devem mais… (cabisbaixo) o Imperador perdoou todas as dívidas. Não temos mais uma única moeda a receber. ANTONIUS Pois então eu me alistarei na Legião! Sei que não tenho idade mas não me importo, já aceitaram outros. Trarei o soldo para nos alimentar. MARCOS Ah... a Legião… (pensativo) o último reduto da moral e da virtude romanas. Pois que sobraram apenas escravos e mercenários. Logo, estaremos dependendo dos bárbaros! (Risada irônica) ANTONIUS Pois soube que muitos Godos já o fazem meu pai. Lá nas províncias do leste... MARCOS (Cerrando o punho) Tragam os bárbaros para defender Roma... e essa selará o seu fim! A República está desmoronando e os senadores disputando para ver quem dá mais pão e circo... Vamos filho, me ajude a juntar os galhos...


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quarta-feira, 17 de julho de 2019

ATO I - Pré-História, das Pedras às Letras



Pré-História, das Pedras às Letras - Livro - Homo Sapiens - Caçadores coletores - Suméria - Crescente Fértil - Escrita Cuneiforme


(NARRADOR)
Há 2,5 milhões de anos, o homo abilis aprendia que usar a pedra lascada é bom para cortar e caçar. Pouco mais de 1 milhão de anos atrás, com uma cabeça 50% maior, o homo erectus controlava o fogo e deixava a África para encontrar o mundo. O homo sapiens moderno surge há 200 mil anos e evolui rapidamente. Há 40 mil anos, já se comunicava como nós; há 35 mil anos, criava esculturas e pintava deusas femininas; há 8 mil anos, dominava a fundição dos metais mais fortes e resistentes para logo depois, há 4 mil anos, fixar-se definitivamente à terra. Deixou de viver em pequenos grupos caçadores-coletores para criar animais, cultivar plantas e.... escrever! Eis o início de nossa história.

Descrição da cena:
Entra Dário, com uma tábua de argila contendo anotações e se encontra com Ciro, com um cesto de ração para dar aos leitões.

DÁRIO
Ei Ciro, você me deve um leitão!

CIRO
Mas Dário, eu já lhe dei dois leitões, como combinamos.

DÁRIO
O combinado é que metade da ninhada da porca marrom seria minha.

CIRO
Sim, foi o combinado.

DARIO
Veja, está anotado aqui na tábua de argila (mostrando a tábua)

CIRO
Deixe-me ver (observando atentamente).

DÁRIO
Veja aqui, fizemos quatro marcas para a porca de Aurélio e fizemos outras seis marcas para a nossa porca.

CIRO
Sim, eu me lembro.

DÁRIO
Nossa porca teve seis leitões! Veja: (passando as marcações com o dedo) uma, duas, três, quatro, cinco, seis marcas!

CIRO
Acho que me confundi nas falanges , eu contei a porca errada.

DÁRIO
Tudo bem! Fizemos bem em marcar a quantidade de leitões de cada animal.

CIRO
Foi uma excelente ideia essa de fazer marcas na argila!

DARIO
Só pensei num modo de controlar a criação e calcular a quantidade de ração a cada 4 danna  (8 horas).

CIRO
Venha comigo Dário, vamos falar com Aurélio e buscar o seu leitão!


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  Ato II >
 
O projeto adapta Ilíada e Odisseia para o formato de teatro,  são 38 cenas curtas mas que contam a história inteira, ideal para o ensino fundamental. Uma peça de teatro para que adolescentes possam interpretar essa história, viver parte da nossa pujante herança cultural.


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ATO II - Mesopotâmia, das Letras às Leis


Mesopotâmia, das Letras às Leis - Livro - Mesopotamia - Crescente Fértil - Código Hamurabi

(NARRADO)
Sem precisar deslocar-se para buscar alimentos, o homem deixou de ser nômade e fixou raízes no solo. Nas terras do “Crescente Fértil”, ele aperfeiçoou as técnicas de irrigação e ampliou a agricultura. A produção de excedentes favoreceu o crescimento populacional e o florescimento do comércio. A crescente urbanização e os avanços tecnológicos levaram ao estabelecimento de sociedades cada vez mais complexas, organizadas em cidades-estado politeístas com suas leis, classes sociais e governantes divinos.
Descrição da cena:
Sacerdote Pársis caminha e encontra Fedímia a gritar. Ártos e Améstris caminham próximos e se aproximam.
FEDÍMIA
(entra desconsolada) Agamenon morreu! Agamenon está morto!
PÁRSIS
O que houve? Como foi que Agamenon morreu?
FEDÍMIA
A casa dele desmoronou, caiu sobre ele! Ele ainda gritou por socorro, mas quando o retiraram de lá, ele... (em prantos) já estava morto.
PÁRSIS
Eu conheço Agamenon. A casa dele foi levantada pelo mushkenu 9 Bardiron ou por seu ajudante wardu 10?
FEDÍMIA
Bardiron. Foi o próprio Bardiron.
PÁRSIS
Pois tragam a mim Bardiron, o que construiu a casa de Agamenon!
ÁRTOS/AMESTRIS
Sim, meu sacerdote! (ambos fazem referência e saem, retornando com Bardiron)
BARDIRON
Aqui estou meu sacerdote, mandou me chamar?
PÁRSIS
Sim, Bardiron. Diga-me: foi você quem construiu a nova casa de Agamenon?
BARDIRON
Sim, meu sacerdote. Apesar das nossas brigas, tornamo-nos grandes amigos, tal qual Enkidu e Gilgamesh 11. Mas por que a pergunta?
PÁRSIS
Agamenon está morto.
BARDIRON
Que tragédia!!! (mãos à cabeça) Como ele morreu?
FEDÍMIA
A casa que você fez caiu sobre ele!
BARDIRON
(desconsolado) Não! Não...
PÁRSIS
Bardiron, conheces teu castigo 12?
BARDIRON
Sim... (respira fundo, pausa longa) “Se a casa que o construtor levantou caiu e causou a morte de seu dono, o construtor será morto. Caso o filho do dono morra, o filho do construtor será morto”...
PÁRSIS
Apenas Agamenon morreu?
FEDÍMIA
Sim, meu sacerdote.
PÁRSIS
Pois levem Bardiron. Antes de dar a sentença, eu quero ver o corpo frio de Agamenon.
ÁRTOS/AMESTRIS
Sim, meu sacerdote. (Ártos e Améstris saem, carregando Bartiron)

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09 - Trabalhadores livres, não escravos, que pagavam tributos ao Estado. 
10 - Trabalhadores escravos, adquiridos no exterior através da guerra, pirataria ou comércio. 
11 - Ninhursag, “Deusa-mãe” ou “Senhora dos Deuses”, progenitora da maioria dos deuses na mitologia suméria, cria Enkidu a partir do barro, o qual entra em luta feroz contra Gilgamesh na cidade de Uruk. Os dois acabam tornando-se amigos inseparáveis. 
12 - Código Hamurabi, compilação de 282 leis sumérias, talhadas em um bloco de basalto de 2,5 metros de altura, originalmente no Templo de Sippa, atual Irã.


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domingo, 14 de julho de 2019

ATO VII - Renascimento, do Absolutismo à Burguesia


Renascimento, do Absolutismo à Burguesia - Livro Burgos Riqueza

NARRADOR
O poder pela espada há muito se deslocou da aristocracia. Esta, não era afeita ao cultivo da inteligência – restrito aos clérigos, tampouco ao cultivo da terra – coisa de servos ou arrendatários, nem mesmo ao cultivo dos negócios – ocupação de judeus e burgueses. O fim das invasões bárbaras, a produção de excedentes e o crescimento populacional proporcionou o surgimento de um comércio incipiente. De pequenas feiras temporárias de dentro dos feudos, tornaram-se grandes, permanentes e transformaram o entroncamento das principais rotas, em verdadeiros Burgos. Nestas novas cidadelas fortificadas, de pessoas livres do jugo da nobreza, surgiu uma pequena elite burguesa economicamente independente, capaz de emprestar dinheiro aos reis e aos senhores feudais em dificuldades. O poder começou a mudar de mãos e a romper com as estruturas medievais.
DESCRIÇÃO DA CENA: Oliveira chega à oficina de Miguel, que trabalha sentado, esculpindo o anjo que Oliveira lhe encomendou, para entregar de presente ao pai de sua futura esposa.
MIGUEL
Sr. Oliveira, que bons ventos o trazem à casa deste humilde amigo?

OLIVEIRA 
Deixe de modéstia Miguel, bem sabes que teu ego não faz jus ao teu talento.

MIGUEL 
És mui gentil Sr. Oliveira. Mas se viestes buscar a tua encomenda para o vosso casamento com a Marquesa Catarina, ainda não terminei.

OLIVEIRA 
Pois que se aprume Miguel. O tempo é curto!

MIGUEL 
Se queres que a arte iguale em beleza a virtude que procuras, não me apresse.

OLIVEIRA 
Decerto Miguel! Quero que todos vejam nela a expressão da minha virtude.

MIGUEL 
A plena expressão está na proporcionalidade Sr. Oliveira; de conseguir coordenar todas as partes da maneira correta. Afinal, Deus se apraz em todas as coisas, das grandes até os menores detalhes.

OLIVEIRA 
Está bem Miguel, não vou te atrapalhar. Sabes que não há beleza neste mundo que retribua o dote que receberei de minha amada noiva.

MIGUEL
Por que se importas tanto em ser Marquês, Sr. Oliveira? Tens mais dinheiro do que toda esta nobreza junta. Que grandeza mais quer provar?

OLIVEIRA 
Caro Miguel, bem sabes que não tenho sangue judeu. Tampouco meus antepassados se ocuparam em qualquer tipo de ofício mecânico – desculpe -...

MIGUEL 
Não me ofende, não se preocupe.

OLIVEIRA 
... e mesmo assim, me julgam como um inferior, não importa o quão rico eu seja.

MIGUEL 
A mim, basta a liberdade que tenho aqui no burgo e saber que todos estes culottes dependem de ti para viver, meu amigo.

OLIVEIRA 
Pois a mim não basta ter o poder de fato, quero o poder de direito. E para tal, eu preciso ser um “marquês”.


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terça-feira, 2 de julho de 2019

Ato VI - Idade Média, das Nações ao Absolutismo


Idade Média, das Nações ao Absolutismo - Livro - Aristocracia - Renascimento

(NARRADOR)
O status social da nova aristocracia estava baseado em valores como lealdade, coragem e honra. Dona das armas e das terras onde servos e os vassalos podiam cultivar e habitar em troca de tributos, proteção militar e econômica, seu poder cresceu exponencialmente, eliminando a intermediação do sacerdócio e culminando na fundação das monarquias absolutistas. Essas dinastias familiares disputavam e unificavam grandes territórios da Europa através das guerras ou de laços consanguíneos ao mesmo tempo em que tornavam-se cada vez mais dependentes do Terceiro Estado, os chamados “burgueses livres”.
Descrição da cena:
Guilhaume e Jacques lideram os camponeses que protestam diante do senhor feudal Jean, protegido pelos portões. O imposto extra é a gota d’água e partem para invadir e saquear o castelo.
GUILHAUME
Por Deus, passamos fome!
JEAN
Calma, calma! O Rei já ordenou novo empréstimo para compra de víveres e de grãos nos burgos vizinhos.
JACQUES
Minha filha tem fome! Os doentes estão morrendo!
JEAN
Daremos o que comer aos famintos e inválidos. Acalmem-se de uma vez!
GUILHAUME
O clima ruim estragou a colheita e matou nossos porcos. Não sobrou nada!
JACQUES
Que se distribua o estoque dos nobres! Pelo menos, deem de comer aos órfãos e viúvas! (empurrando o portão) Queremos comida!
JEAN
Escutem! Os estoques reais não duram muito. A talha tampouco foi suficiente para alimentar a nobreza ou os clérigos, quiçá o povo!
GUILHAUME
Por que Deus nos abandonou? Como permitiu que seu povo passasse fome? Não é divino o Rei? Não é?!? (começam a empurrar o portão)
JEAN
Acalmem-se, estão fora de si!
JACQUES
Não queremos mais desculpas! Queremos comida! Onde está a comida???
JEAN
Esperem! O Rei já vem tentando resolver a situação!
GUILHAUME
Mas como? (param, atentos)
JEAN
Os recursos logo estarão aqui e, com uma... taxa extra, logo pagaremos a obrigação...
JACQUES
Mais impostos?!? Basta!!! (enfurecidos) Não vamos tolerar mais abusos!
GUILHAUME
Chega de fome! (o povo derruba os portões e invade o castelo)
JACQUES
Vamos tomar o que é nosso! (saem de cena perseguindo Jean)
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segunda-feira, 1 de julho de 2019

Narração do Capítulo VII "RENASCIMENTO, do Absolutismo à Burguesia"



O "Pequeno Teatro da Civilização Ocidental" é um livro de teatro infanto-juvenil onde os capítulos são em formato de diálogos – tanto dramáticos quanto narrativos, nas quais os personagens abordam a origem dos costumes ou eventos de nossa civilização e que nos levaram a importantes processos históricos e suas consequências.

Neste vídeo, autor Dennys Andrade empresta a sua narrativa para o capítulo VII - Renascimento, do Absolutismo à Burguesia.




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