quarta-feira, 21 de outubro de 2020

I Fórum de Educação & Cultura


 

Excelente bate papo com os colegas Mauro Ventura e Luciano Cunha, brilhantemente mediado por Cassia Queiroz, sobre as dificuldades da produção cultural no Brasil. Confira o trabalho desenvolvido durante  todo o Fórum neste link e a participação do editor da BKCC, Dennys Andrade, no vídeo acima.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Entrevista com o escritor Dennys Andrade, autor da coleção 'Pequeno Teatro'

 

Entrevista do escritor Dennys Andrade para a Revista Terça Livre


*Por Leônidas Pellegrini (Revista Terça Livre),

Um dos fatores que o professor Olavo de Carvalho aponta como direta e intrinsecamente relacionado à decadência do pensamento e da cultura ocidentais é a crise de sua literatura. No Brasil, Olavo avalia que, após a década de 60, a decadência da literatura é patente, sendo que bons autores tronam-se cada vez mais difíceis de se encontrar, constituindo “ilhas” em meio a um mar de mediocridade. 

Essa realidade também se reflete na literatura infanto-juvenil, território em crise há algum tempo, e que vem sendo invadido por ativistas, lacradores e youtubers charlatães. Como filho de um escritor que possui uma vasta obra infanto-juvenil e professor de língua portuguesa que trabalhou por dez anos (de 2009 a 2019) com o ensino fundamental, vejo com preocupação os livros que têm sido destinados às escolas e, principalmente, os adotados por muitos professores (obras que revelam uma preocupação muito maior com o levantamento de “debates” para fomentar o “pensamento crítico” que em despertar o gosto pela leitura). 

As crises, no entanto, podem suscitar reações que inspiram esperança. É o que vejo no escritor Dennys Andrade, com quem tive contato por meio de meu amigo Giorgio Cappelli. Pai de duas crianças e um adolescente, após uma valiosa experiência com a política partidária e um período de silêncio e estudo, Dennys viu-se inspirado pelos mestres Olavo de Carvalho e Homero a iniciar um projeto de vida visando à reabilitação de valores possivelmente perdidos no imaginário das novas gerações. 

Com isso, nasceu a coleção Pequeno Teatro, que já conta com dois volumes: “Civilização Ocidental” (inspirado nos escritos de Olavo) e a adaptação de Homero “Ilíada e Odisseia”, peças para serem encenadas por alunos do ensino fundamental (à venda na Livraria Terça Livre, link ao final). 

Em entrevista exclusiva à Revista Terça Livre, Dennys Andrade falou sobre sua formação, influências e trajetória intelectual, assim como sua visão da crise no mercado editorial infanto-juvenil e seus planos editoriais. Confira abaixo.

Terça Livre: Dennys, em primeiro lugar, gostaria de saber sobre sua formação como leitor e como escritor, suas principais referências, etc.

Dennys Andrade: Minha família costumava passar os finais de semana na casa de minha avó paterna, em Santa Isabel. Como uma forma de controlar os filhos nessas viagens curtas, meu pai enchia os filhos de gibis. Eu acompanhava as imagens e fazia a associação com as letras. Quando os gibis já não davam mais conta, vieram as revistas, que se transformaram em edições dominicais grossas do Estadão. Virei um leitor devorador. Já adolescente, meus favoritos eram Isaac Asimov, Machado de Assis e Oscar Wilde, cuja tradução de Oscar Mendes é, até hoje, minha referência de como a língua portuguesa pode ser maravilhosamente bem escrita.

Formei-me em Geografia na USP e, apesar de o gosto por filosofia e política, passei ileso. Entrei para o partido NOVO após as “jornadas de julho”, quando comecei a escrever o blog “30 Diários”, como uma forma de juntar informações sobre o partido e de discorrer sobre formação política. À mesma época, comecei a acompanhar o True Outspeak e a ler as obras de Olavo de Carvalho. Com o blog, aglutinei muitas pessoas e também questionamentos em relação ao partido, que levaram, por fim, ao colapso do diretório paulista e à primeira deserção em massa dos filiados, em agosto de 2016.

Desde então, seguindo os conselhos de Olavo, comprometi-me a parar de escrever (besteiras) e me dedicar apenas à leitura. Assim foi até 2019, quando uma confluência de fatores propícios me levaram a publicar a primeira obra voltada para o público infanto-juvenil, o “Civilização Ocidental”. 

Terça Livre: Tenho uma experiência de 10 anos trabalhando com ensino fundamental, e tenho uma visão bem clara da crise pela qual passa tanto nossa produção infanto-juvenil como a escolha das obras para leitura dos alunos, que muitas vezes são destinadas a ocasionar o “pensamento crítico” do que o gosto pela leitura. Gostaria que você comentasse sobre essa situação. 

Dennys Andrade: Sabemos dos fatores que nos trouxeram até aqui, mas não adianta ficar discorrendo sobre os efeitos sem tratar da solução. O primeiro passo já foi dado, que é ter consciência do problema que foi tratar a educação como um ato político. O passo seguinte, para alterar essa realidade, passa pela produção de uma literatura de qualidade e pela criação de canais que possibilitem a essa produção encontrar o seu público. De nada adianta ter a ciência da necessidade e não encontrar os insumos para supri-la. 

Para conseguir publicar e viabilizar comercialmente o primeiro volume da coleção Pequeno Teatro, destinado ao ensino fundamental, foi necessário realizar um verdadeiro périplo atrás de licenças, carimbos, senhas, registrando e pagando taxas, tendo que virar perito em legislação tributária para poder emitir uma simples nota fiscal. Não é sem fundamento que boas iniciativas pessoais simplesmente morrem em seu nascedouro. 

Para quem atravessa a selva da burocracia e assume o investimento por conta e risco, existem os canais privados como a Amazon, o Mercado Livre e os nacionais, como a B2W (Submarino, Americanas etc). É quando a sua produção é exposta que surge a realidade mercadológica: se ninguém conhece, ninguém lê. Aí é que entra em cena o ator mais importante – de longe! - da atual conjuntura cultural brasileira: o CEDET. O trabalho de César e sua equipe, “desburocratizando” o acesso dos brasileiros à produção literária de qualidade, abriu a porta do que é bom e de qualidade para o mercado nacional e será responsável por um enorme impacto positivo na sociedade a médio prazo, mais do que qualquer outra iniciativa “pública”.

Terça Livre: Gostaria que vocês nos falasse um pouco sobre sua proposta com a coleção Pequeno Teatro, e também sobre seus livros já lançados nessa coleção. Qual foi a motivação para escrevê-los, sua gênese e desenvolvimento, etc.

Dennys Andrade: Como eu já comentei para a Bruna Torlay, a coleção surgiu com a proposta de religar, de abrir as portas dos clássicos para os alunos. Estamos formando adultos para uma sociedade cada vez mais complexa e especializada, cujas áreas de atuação (religião, artes, política, etc) são praticadas de forma cada vez mais isoladas, ou seja, sem comunicação uma com as outras. O próprio conceito de arte abstrata (década de 50) surge como um reflexo dessa separação. Essa arte, separada de qualquer outra ligação que lhe dê substância, é extremamente pobre. Olavo, em seu livro Dialética Simbólica, afirma que o homem moderno não consegue raciocinar analogicamente, pois quando você cria um objeto sem significado você nega as analogias e os simbolismos. E o que o homem (o aluno) não entende, sem a dialética simbólica, ele vai abstraindo. 

A motivação da obra foi a necessidade de apresentar aos jovens os nossos valores mais caros: bravura, compaixão, ética, justiça e lealdade, fazendo a religação desses símbolos com os seus significados reais  utilizando exemplos de ações e, uma vez concretizada essa ligação, abrir o caminho para que eles apliquem e os transmitam da forma correta. Poucos autores fazem essa “transmutação” da experiência real, de expressar o referente (o fato) em palavras com excelência. É aí que entram os clássicos, pois eles conseguem fazê-lo de maneira inigualável.

São dois os volumes já lançados: “Civilização Ocidental” e “Ilíada e Odisseia”. O primeiro foi inspirado no texto “História de quinze séculos” do Olavo, no qual o professor abusa do seu poder de síntese e resume magistralmente toda a nossa herança civilizatória em menos de 700 palavras! Minha ideia foi dissecá-lo em tópicos temporais, unindo e contextualizando os capítulos por uma linha narrativa e utilizando da performance teatral para reforçar a absorção do conteúdo pelos alunos. Tudo acompanhado pelas belíssimas ilustrações de Pedro Lorenzo, talentosíssimo artista londrinense.

Com a excelente repercussão do primeiro volume e de seu formato, voltei-me para a adaptação dos maiores cânones da literatura ocidental: Ilíada e Odisseia. Foi uma aventura deliciosa mergulhar de cabeça, não apenas nos dois livros, mas também poder adicionar o “Proêmio”, um capítulo extra que antecede os demais e detalha todos os eventos que antecederam e que desencadearam as duas obras homéricas. O resultado foi um livro levíssimo, nas palavras da Bruna: “uma tradução para o público infanto-juvenil, fidelíssimo ao aspecto principal dos poemas: a excelência constante, ou, energia vigorosa da primeira à última sílaba.” 

Terça Livre: Como você já trabalhou com uma adaptação das obras Ilíada e Odisseia para o público juvenil, gostaria que nos falasse como vê a questão das adaptações de clássicos da literatura para o mercado infanto-juvenil. 

Dennys Andrade: O mercado literário infanto-juvenil sofre com a recente invasão dos famosos “youtubers” e sua disputa desmesurada por ‘likes’. Como pai de duas crianças e um adolescente, eu procuro controlar o conteúdo que chega até eles, sempre dando o exemplo, praticando a leitura juntos e oferecendo conteúdos que lhes prendam a atenção. Ainda assim, é impossível controlar tudo o que eles consomem, pois, muito vem através dos amigos e colegas.

Por esse motivo, é importante haver opções de qualidade para se fazer a devida introdução aos clássicos, às grandes ideias, ou que entrem em conflito com o viés marxista predominante. A boa notícia é que estão começando a surgir bons projetos voltados para o segmento infanto-juvenil. Posso citar a “Turminha da Liberdade” (Miotto, 2018), a HQ “Austrinho” (IFL, 2018), a série “Desbravando o mundo livre” (IL, 2019) e as HQs de Luciano Cunha: Doutrinador (Cinema e TV, 2018) e Destro (Super Prumo, 2020). 

A demanda existe, mas faltam produtos literários acessíveis a esse grupo etário, especialmente aqueles focados  diretamente no âmago dos valores conservadores, coisa que tanto a obra de Olavo de Carvalho quanto os clássicos literários, fazem com perfeição. A adaptação da “Ilíada e Odisseia” para o teatro do ensino fundamental foi apenas a ponta do iceberg.

Terça Livre: Poderia nos dizer quais serão as próximas adaptações da coleção Pequeno Teatro e os projetos da sua editora, a BKCC Livros?

Dennys Andrade: As publicações vão seguir um calendário baseado nas próximas efemérides comemorativas, para aproveitar o interesse natural do público e da mídia. Para 2021, teremos o lançamento da adaptação teatral da “Divina Comédia”, em comemoração aos 700 anos da primeira edição de Dante Alighieri (1321). Em 2022, será a vez de oferecer “Os Lusíadas”, em comemoração aos 450 anos da obra de Luis de Camões (1572). Também para 2022, laçaremos um volume especial em comemoração ao Bicentenário da Independência do Brasil. A ideia é fazer a garotada subir nos tablados para interpretar um Dom João VI, um Dom Pedro I, uma Princesa Leopoldina, José Bonifácio, enfim, criar uma obra digna, que seja realmente um ponto cardeal na mudança cultural que desejamos. Outros cânones e passagens históricas nacionais também estão na lista.

Quero aproveitar a parceria oferecido pelo CEDET e a possibilidade de focar apenas no que realmente interessa: conteúdo de qualidade. Então, a ideia é abrir as portas da editora para novos autores, com boas obras, orientadas para o público-alvo da editora – o infanto-juvenil. Nessa linha, já temos algo planejado para os próximos meses, que é um livro que fala sobre “Heróis e Gênios”, brilhantemente organizado pelo manauara Leandro Flaiban. 

Outras frentes incluem a publicação de cadernos de atividades vinculados aos volumes da coleção Pequeno Teatro e a criação de pequenos cursos e/ou adaptações das obras para o formato de uma série de pequenos vídeos animados, por meio de uma grande parceira, de enorme sucesso na produção de conteúdo audiovisual.

 

Fonte / Leia o conteúdo completo da Revista Terça Livre (edição 66) em:

 

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quarta-feira, 7 de outubro de 2020

LIVE - Literatura infantojuvenil no Canal da Articulação

Episódio com participação de Simone Segato e Antônio Carlos, que recebem os convidados Eduardo Bugs e Victória Jardim - coleção Desbravando o Mundo Livre e Dennys Andrade - coleção Pequeno Teatro. Um bate-papo sobre livros infantojuvenis inspirados em obras clássicas.

 


 

Coleção "Pequeno Teatro", disponível na livraria da Bruna Torlay:

  https://livrariabrunatorlay.com.br/index.php?route=product/author&author_id=5791